quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013




FRAGILIDADE

Um cachecol imenso a me envolver o pescoço.
Caindo pelo dorso.
Gorro na cabeça.
Pesado agasalho.
Um pássaro a cantar no galho.
Eu ali na pracinha a olhar.
A admirar.
Envolta em panos quentes, frágil...
mais parecendo uma trouxinha que o vento pudesse levar.
Tempo de chorar...
Se falo de um tempo morto é que ele conseguiu me marcar.
Se volto a falar é porque não consigo apagar.
O canto lindo da avezinha.
A pracinha.
A vontade de voar...
De sumir, de nunca mais voltar.
Envolta nas dobras do tempo aprendi a me proteger.
Aprendi a melhor viver.
Só não aprendo aquela tarde gélida esquecer.

sonia delsin 

Nenhum comentário:

Postar um comentário